EFEManila

As multinacionais Coca-Cola, Pepsi e Nestlé são as empresas que mais contribuem para a poluição dos oceanos com plásticos de um só uso, segundo um estudo da iniciativa "Break Free from Plastic", que limpou as costas de 42 países em todo o mundo.

"O relatório demonstra de forma irrefutável o papel das grandes corporações em perpetuar a poluição mundial de plástico", afirmou o coordenador global do movimento "Break free from Plastic", Von Hernández, no lançamento do estudo realizado hoje em Manila.

Mais de 10.000 voluntários fizeram entre 9 e 15 de setembro 239 ações de limpeza de plásticos em costas e outras zonas naturais de 42 países como a Filipinas, Tailândia, Vietname, Índia, Indonésia, Austrália, Chile, Equador, Brasil, México, Estados Unidos, Canadá, Marrocos ou Espanha.

No total recolheram mais 187.000 peças de plástico, mais de 65% das quais correspondiam a embalagens de produtos de grandes corporações mundiais, com a Coca-Cola, Pepsi e Nestlé à frente.

No ranking de empresas mais poluentes estão ainda a Danone, Mondelez, Procter & Gamble, Unilever, Perfetti van Melle, Mars Incorporated e Colgate-palmolive, todas multinacionais relacionadas com a alimentação, higiene e os produtos do lar.

"Estas companhias têm que escolher, podem ser parte do problema ou da solução. Caso se empenhem em continuar a utilizar para os seus produtos revestimentos desnecessários de plástico, vão continuar a encorajar o seu fabrico e portanto a poluição", apontou Hernandez em declarações à Efe.

Cerca das 100.000 peças ou porções de plástico recolhidas eram de materiais que são impossível ou muito difíceis de reciclar, como o poliestireno, o PVC (cloreto de polivinil), PET (tereftalato de polietileno) -usado sobretudo em garrafas- ou a película de plástico de um só uso.

Atualmente, a produção de plástico alcançou os 320 milhões de toneladas métricas por ano, e na próxima década está previsto que cresça 40%, o que aumentará exponencialmente a libertação de gases estufa, já que 90% dos plásticos produzem-se a partir de energias fósseis e poluentes.

"Devemos exigir às corporações por trás destas marcas de consumo massivo que deixem esse mal hábito de sobrelotar os seus produtos e reverter a procura de mais plástico", indicou Hernández, que lidera este movimento global após exercer como diretor da Greenpeace no sudeste asiático entre 2014 e 2018.

O relatório avança que estas grandes corporações devem assumir a sua responsabilidade na poluição do meio a vários níveis, já que a produção de plásticos expõe a substâncias nocivas as comunidades que vivem perto das fábricas, mas também poluem os alimentos e produtos nas embalagens de plástico.

"A população está a acumular em sangue ftalatos e outros químicos que alteram o sistema endócrino, além de pagar com os seus impostos o elevado custo da gestão dos resíduos de plástico", adverte a "Break Free from Plastic".

80% das 8.300 milhões de toneladas métricas de plástico produzido desde 1950 ainda perdura no meio ambiente, fundamentalmente nos oceanos, segundo estudos recentes citados no relatório apresentado hoje.

Desde então, só 9% dessa quantidade de plástico foi reciclada adequadamente, enquanto que 12% foi incinerada.

A iniciativa "Break Free from Plastic" nasceu em 2016 com o propósito de advogar por um futuro livre de plásticos, já que durante o longo processo da sua desintegração libertam gases estufa, sobretudo metano, que contribuem para a mudança climática.

Este movimento conta já com o apoio de cerca de 6.000 pessoas e mais de 1.300 organizações e grupos defensores do ambiente como a Greenpeace, GAIA ou Zero Waste.

Sara Gómez Armas