EFEJacarta

A rede social Instagram suspendeu hoje uma conta que publicava vinhetas de banda desenhada que abordam os problemas e aceitação da comunidade LGBT na Indonésia após o ministério da Comunicação e Informação exigir o seu fecho ao alegar que mostrava conteúdo pornográfico.

O ministério disse que a conta Alpantuni viola a lei de Informação e Transações Eletrónicas (ITE) relativamente à distribuição de conteúdo que "viola a decência", e agradeceu as denúncias de outros utilizadores que "aceleraram o processo", segundo um comunicado.

As vinhetas cómicas, que apresentam personagens homossexuais muçulmanas e possuem um tom crítico contra a homofobia e o fundamentalismo religioso, foram alvo de vários utilizadores da rede social, que nas suas críticas identificaram o ministério.

O Instagram tomou a decisão depois do ministro da Comunicação, Rudiantara, que utiliza um só nome, como muitos indonésios, ameaçar na segunda-feira fechar a plataforma se a companhia não tomasse medidas.

A lei ITE e a lei contra a pornografia foram utilizadas na Indonésia para criminalizar a homossexualidade e o grupo LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais), segundo denuncia a Human Rights Watch.

O ministério da Comunicação ameaçou nos últimos anos fechar outras redes sociais e plataformas de mensagem e bloqueou centenas de websites e aplicações com conteúdo homossexual para salvaguardar a moral na internet.

O país asiático viu um aumento da retórica homofóbica na política e na sociedade nos últimos anos devido a uma maior influência dos grupos islamitas.

A Indonésia, que realiza no dia 17 de abril eleições presidenciais, é o país com a maior população muçulmana do mundo, onde 88% dos seus mais de 260 milhões de habitantes professa esta religião, embora a maioria de forma moderada.