EFEMoscovo

O responsável da agência espacial russa Roscosmos, Dmitri Rogozin, disse hoje que a Rússia planeia lançar uma nave à Lua em 2021.

"Decidimos retomar o programa lunar. Vamos enviar a primeira nave à Lua em 2021", disse em entrevista à rede de televisão "Rossiya 24".

Rogozin também disse que os EUA pediram à Rússia que desenvolva uma nave Soyuz modificada que possa voar para a Lua e regressar para criar "um sistema de transporte de reserva".

Segundo o chefe da Roscosmos, a agência espacial americana também pediu à Rússia que continue a transportar os astronautas americanos para a Estação Espacial Internacional (ISS, a sigla em inglês) mesmo após a intenção dos EUA de retomar os voos com naves próprias.

O contrato atual para transportar os astronautas americanos em naves russas ao espaço expira no primeiro semestre de 2020.

As relações entre a Roscosmos e a NASA passam atualmente por um momento tenso, depois do administrador da agência espacial americana, Jim Bridenstine, ter cancelado a visita de Rogozin aos EUA pela preocupação de alguns senadores.

Rogozin, que se encontra na lista de russos sancionados em 2014 pelo governo de Barack Obama, disse hoje em outra entrevista que estava preparado para convidar Bridenstine à Rússia se não pudesse viajar para os EUA, uma manobra que atribuiu às atuais tensões entre o presidente Donald Trump e o Congresso.

Nesta quinta-feira, o chefe adjunto da Roscosmos, Sergei Saveliev, falou sobre essa questão com o seu homólogo da NASA, Al Condes, mas não foram divulgados detalhes sobre a conversa, apenas que a mesma foi "construtiva".

Rogozin também afirmou que o lançamento do orbitador Luna-26 foi adiado para 2023 e que a missão de alunagem Luna-27 só acontecerá em 2024.

Ambas missões estavam previstas anteriormente para os anos de 2022 e 2023, respetivamente.

O responsável da agência espacial russa também afirmou que a corporação estatal estuda a possibilidade de organizar uma missão comercial ao espaço pela rota "Yuri Gagarin", que leva o nome do primeiro homem a orbitar a Terra.

A façanha de Gagarin aconteceu no dia 12 de abril de 1961 e durou 108 minutos, com apenas uma volta em torno do planeta.

"Já começamos negociações com parceiros potenciais que estão interessados", comentou Rogozin, que também assinalou que, assim que a Rússia utilizar os foguetões Soyuz-2.1a a partir de 2020 para lançar as suas naves (atualmente utiliza as Soyuz-FG), o número de voos poderá aumentar.

"Em parte, este aumento (de voos) vai trazer benefícios comerciais diretos", assinalou o responsável da agência russa.

Segundo Rogozin, o acidente em outubro com o foguetão Soyuz-FG, que lançou uma nave ao espaço, mas cuja cápsula que teve que regressar à Terra poucos minutos depois após os sistemas de emergência serem acionados, não diminuiu a confiança na agência russa.

Como a aterragem ocorreu de maneira segura, o incidente "convenceu americanos, europeus e os nossos cosmonautas que, independentemente do que ocorra com os foguetões-portadores (...), as nossas naves são seguras e regressam à Terra", disse Rogozin.