EFEMoscovo

As ruas do Turquemenistão passam por uma súbita e arbitrária transformação graças à decisão do governo de proibir mulheres de conduzir e só permitir o tráfego de carros com cores branca -a favorita do presidente do país, Gurbanguly Berdimuhammedow- e prateada.

Ainda que as proibições não tenham sido anunciadas oficialmente -algo com o qual os turcomenos já estão habituados- vários meios de comunicação de ativistas opositores radicados fora do país divulgaram a nova polémica de Berdimuhammedow, conhecido por tomar medidas extravagantes.

A campanha contra as mulheres ao volante começou em meados de dezembro de 2017 com advertências verbais de agentes de trânsito às condutoras. De acordo com pessoas ouvidas pelo site "Notícias Alternativas do Turquemenistão", os oficiais paravam todos os carros conduzidos por mulheres para dizer que elas não poderiam voltar a conduzir ou sofreriam consequências- mas sem explicarem o motivo.

Além disso, profissionais do setor privado e funcionárias públicas terão que se comprometer por escrito a não conduzir.

De acordo com o jornal de oposição "Crónica do Turquemenistão", nas últimas duas semanas as autoridades convocaram mulheres que têm permissão para conduzir a fim de informar que as licenças com menos de cinco anos deverão ser substituídas e que elas seriam obrigadas a refazer todos os exames.

Uma fonte da polícia citada por este site de notícias afirmou que Berdimuhammedow decidiu proibir as mulheres de conduzir após o ministro do Interior, Isgender Mulikov, culpá-las pela maioria dos acidentes de trânsito do país.

Mais extravagante ainda foi a decisão de vetar a circulação de todos os carros que não sejam brancos ou prateados.

No dia 29 de dezembro, uma emissora de rádio dos Estados Unidos foi a primeira a informar que todos os veículos pretos foram retirados das ruas de Turquemenistão sem nenhuma razão para além da cor.

Para recuperar os carros, os condutores tiveram que se comprometer por escrito a pintá-los de branco por causa da preferência de Berdimuhammedow, conhecido entre a população como "O Protetor".

A importação de veículos pretos já tinha sido proibida extraoficialmente há três anos.

Nos últimos dias, a "caça" estendeu-se a carros de todas as cores, exceto os brancos e prateados.

A população turcomena convive com as arbitrariedades dos seus líderes desde que o país conquistou a sua independência da União Soviética em 1991.

O antecessor de Berdimuhammedow, Saparmurat Niyazov, que chegou ao poder seis anos antes do fim da URSS, como primeiro secretário do Comité Central do Partido Comunista do Turquemenistão, e governou o país até 2006, baniu o calendário gregoriano, trocando os nomes dos meses e dos dias da semana pelos de personalidades que admirava e até o da própria mãe, entre outros. Atividades culturais como ópera e circo, aulas de educação física nas escolas e acesso à internet também foram vetados.

Em 1999, Niyazov foi nomeado como presidente vitalício do Turquemenistão e mandou construir estátuas de ouro com a sua própria imagem, além de impor o culto à sua personalidade e uma política de isolamento similar à da Coreia do Norte.

Berdimuhammedow revogou muitos dos decretos assinados por Niyazov e prometeu erradicar o culto à figura do líder, mas após os primeiros dez anos no poder também construiu a sua própria estátua, banhada em ouro 24 quilates, no centro da capital, Ashgabat.

A estátua tem mais de 21 metros e mostra Berdimuhammedow em cima de um cavalo com uma pomba nas mãos. O atual chefe de Estado, no entanto, não se esqueceu de retirar as estátuas do seu antecessor das ruas da nação.

Arturo Escarda