EFELisboa

Renato Sanches, Nani, João Mário, William Carvalho, Danilo, Eliseu e Éder são os sete internacionais portugueses de sangue africano que estarão representados na final do Europeu deste domingo, contra a também multicultural França.

Trata-se da seleção lusa com ascendência mais africana em torneios europeus.

Nas suas seis participações anteriores, só o Europeu de 1996 se aproxima do atual plantel de convocados, com seis jogadores nascidos nas antigas colónias africanas de Portugal.

Renato Sanches, que trocou o Benfica pelo Bayern de Munique, e Nani, nova contratação do Valência, têm pais de Cabo Verde, um pequeno arquipélago de uns 500.000 habitantes situado a 1.500 quilómetros das Ilhas Canárias espanholas.

Sanches, nascido em Lisboa em agosto de 1997, fez das suas origens cabo-verdianas um motivo de orgulho.

Luze umas grossas tranças e sempre que tem a oportunidade elogia a cultura que herdou.

"O sangue, as origens e os hábitos são cabo-verdianos. Sou português com muito orgulho, mas também adoro as minhas raízes africanas", declarou Sanches, de 18 anos, em maio passado, numa entrevista concedida à revista portuguesa "Sábado".

Nani, de 29 anos, nasceu na Amadora, nos subúrbios de Lisboa, mas conserva a nacionalidade de Cabo Verde dos seus progenitores.

Junto a dezenas de milhares de cabo-verdianos, também emigraram a Portugal populações de outras antigas colónias lusas em África a partir de 1974, quando Portugal derrubou uma longa ditadura, instaurou a democracia e desfrutou de um período de crescimento económico.

Emigrantes de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe povoaram, como os pais de Sanches e Nani, os duros subúrbios da capital Lisboa e do Porto.

De Angola procedem os pais de William Carvalho, trinco do Sporting, e do médio João Mário, também do Sporting.

William cresceu nos arredores de Lisboa, enquanto João Mário morou no Porto.

Éder, avançado do Lille de 28 anos, e Danilo Pereira, médio defensivo do Porto de 24 anos, são os representantes da Guiné-Bissau, um instável país sacudido pelo tráfico de droga e pela pobreza.

Ambos nasceram na capital Bissau e emigraram a Lisboa quando eram crianças.

O lateral esquerdo do Benfica Eliseu, que nasceu no arquipélago dos Açores há 32 anos, está relacionado com Cabo Verde pela parte materna.

Este domingo, no estádio de Saint-Denis em Paris, quatro dos 11 titulares serão afrodescendentes.

Espera-se que o selecionador Fernando Santos conte, no onze contra a França, com Renato Sanches, Nani, João Mário e William Carvalho.

O sangue africano na seleção lusa não é algo novo. Na grande seleção do Mundial de 1966, na qual Portugal foi terceira, duas das principais figuras tinham nascido e criaram-se em Moçambique: os lendários Eusébio da Silva Ferreira e Mário Coluna.