EFELisboa

A ponto de enfrentar o seu ex-clube Benfica, o lateral esquerdo do Sporting Fábio Coentrão está a recuperar o bom nível de jogo que o caracterizava antes de várias temporadas marcadas pelas lesões no Real Madrid.

Na sua segunda etapa de empréstimo desde que chegou ao clube de Madrid -jogou no Mónaco na temporada 2015/2016-, o defesa de 29 anos deixou atrás a inatividade e volta a sentir-se importante após anos de ostracismo nas fileiras do Real.

Apesar de ter conseguido a Liga espanhola e a Liga dos Campeões, a temporada passada foi um verdadeiro pesadelo para o jogador português, que chegou a admitir que estava muito longe da sua melhor forma após um encontro nas competições europeias precisamente contra o Sporting, onde cometeu um penálti pouco após sair para o campo.

"Foi um erro de concentração muito grave. Não estava concentrado, sei que estou a jogar mal, não preciso que ninguém me diga. Eu vejo-o", explicava após o segundo dos seis jogos que disputaria na última época.

O lateral que deslumbrou José Mourinho, que pagou 30 milhões por ele em 2011, conseguiu manter a regularidade que lhe faltava nos últimos anos e tornou-se no dono da lateral esquerda do clube lisboeta, onde está por empréstimo até ao próximo 30 de junho.

Mas a que provavelmente foi a melhor notícia para o jogador nascido em Vila do Conde é a falta de lesões, que lhe fizeram perder dezenas de encontros desde a época 2013/2014.

Esta temporada Coentrão disputou 19 jogos com o Sporting, todos eles no onze inicial exceto um -contra o Barcelona na Liga dos Campeões- e anotou um golo na vitória no campo do Boavista.

Excepto uma surpresa, o internacional português vai ultrapassar esta época as duas dezenas de jogos pela primeira vez em cinco anos, quando na sua segunda temporada no Real Madrid levou Marcelo para o banco e ocupou a ala esquerda, participando em 30 encontros.

A recuperação de Coentrão é um dos fatores do bom momento do Sporting, que continua invicto na liga e está em segundo lugar, empatado a pontos com o Porto e três acima do Benfica a duas jornadas do fim da primeira volta.

Além disso, Coentrão voltou a disputar um jogo com a sua seleção, algo que não fazia desde finais de 2015, já que uma grave lesão na coxa direita quando jogava no Mónaco o obrigou a parar entre abril e outubro de 2016, perdendo o Europeu que Portugal acabaria por ganhar.

Ainda que no passado assegurou que nunca jogaria noutro clube português que não fosse o Benfica, ao qual pertenceu durante quatro temporadas, amanhã, quarta-feira, vai-se reencontrar com a sua antiga equipa vestindo as cores do máximo rival na capital portuguesa.

No encontro estrela da décima sexta jornada da Liga lusa, Coentrão vai regressar ao Estádio da Luz da mão de um treinador que foi chave na sua carreira, Jorge Jesus, que já dirigiu o lateral durante a seu etapa de máximo esplendor com as "águias".

Na sua passagem pelo Benfica, Jesus decidiu alternar a posição do português no relvado, desde extremo ou médio ofensivo a lateral esquerdo, com resultados que revolucionaram o futebol luso e a carreira do defesa.

O técnico converteu-lhe "num homem" e deu-lhe aquilo que lhe faltava para triunfar, tal como reconhecia o jogador em 2010.

A que foi a sua casa durante várias temporadas também abrigou um dos momentos mais memoráveis da sua carreira: a vitória da décima Taça da Europa com o Real Madrid, que venceu por 4-1 o Atlético de Madrid num encontro em que o lateral saiu no onze inicial da equipa então dirigida por Carlo Ancelotti.

Com a incerteza da receção que terá por parte dos adeptos e com três pontos que podem ser vitais, Coentrão vai querer confirmar-se como um dos regressos da temporada e mostrar a garra que exibiu na lateral esquerda ao longo da sua carreira.

Jordi González