EFELisboa

Espanha e Portugal vão começar esta sexta-feira o seu percurso no Mundial da Rússia enfrentando-se num clássico ibérico que nos últimos anos se converteu em sinónimo de igualdade e emoção.

Os dois últimos campeões da Europa (Portugal ganhou em 2016 e Espanha em 2012 e 2008) vão estar frente a frente no estádio Fisht de Sochi, num encontro que faz parte da primeira jornada do Grupo B, onde também estão o Irão e Marrocos.

Espanha e Portugal enfrentaram-se em 35 ocasiões, com um balanço de 16 vitórias para "La Roja", treze empates e seis encontros ganhos por Portugal.

A história destas seleções vizinhas está intimamente ligada, já que o primeiro jogo entre elas foi também o primeiro que a seleção nacional de Portugal disputou.

A 18 de dezembro de 1921, o Campo de O'Donnell de Madrid acolheu a estreia da seleção das "Quinas", que perdeu 3-1 contra Espanha.

Desde então, Espanha e Portugal enfrentaram-se em mais catorze ocasiões em apenas 24 anos, convertendo o clássico ibérico num clássico do futebol europeu.

No entanto, os primeiros confrontos entre ambos países foram um monólogo espanhol, já que entre 1921 e 1945 Portugal não só não ganhou nenhum jogo como sofreu históricas goleadas.

O jogo mais recordado dessa etapa realizou-se em 1934 no Estádio de Chamartín, onde Espanha ganhou 9-0 a Portugal, com cinco golos de Isidro Lángara.

Para assistir à primeira vitória do quadro luso num clássico ibérico houve que esperar a 1947, quando Portugal se impôs por um contundente 4-1 no Estádio do Jamor.

O balanço dos confrontos ibéricos começou a equilibrar-se em 1958, quando Espanha ganhou 1-0.

Desde então, "La Roja" encadeou uma sequência de 45 anos e oito jogos sem ganhar a Portugal. Dentro deste etapa encontra-se o clássico disputado na fase de grupos do Europeu de 1984, que acabou com 1-1.

A maldição só se rompeu em 2003 com uma vitória espanhola por 0-3 em Guimarães com golos de Joseba Exteberría, Joaquín Sánchez e Diego Tristán.

No entanto, um ano depois, Portugal tive a sua vingança com um golo de Nuno Gomes no último jogo da fase de grupos do Euro 2004, um golo que deixou a Espanha de Iñaki Sáez de fora do torneio.

Houve que esperar seis anos para voltar a assistir a um clássico ibérico, que desta vez deixou uma boa lembrança para os adeptos espanhóis, já que um golo de David Villa permitiu à "La Roja" impor-se 1-0 nos oitavos de final do Mundial 2010.

Só quatro meses depois de Espanha se proclamar campeã do mundo na África do Sul, chegou o penúltimo encontro até ao momento entre ambas seleções, um jogo particular realizado no Estádio da Luz de Lisboa, no qual Portugal goleou 4-0.

As meias-finais do Euro 2012 viveram o último confronto entre ambos conjuntos, um encontro no qual se chegou com 0-0 ao final do prolongamento.

As grandes penalidades, com um lançamento à "Panenka" de Sergio Ramos, decidiram que Espanha disputasse uma final na qual se impôs à Itália para conseguir o seu terceiro título europeu.

Com esse último jogo, subiu para quatro o número de vezes que ambas seleções se enfrentaram em fases finais de Euros ou Mundiais.

A igualdade neste tipo de encontros é máxima, já que Portugal ganhou um dos jogos (no Euro 2004), Espanha impos-se em outro (no Mundial 2010) e registaram-se dois empates ao final do tempo regulamentar (nos Euros de 1984 e 2012).

Além disso, em dois dos três títulos conseguidos recentemente pela seleção espanhola (Mundial 2010 e Europeu 2012), "La Roja" teve que eliminar Portugal para ganhar o campeonato.

No capítulo de melhores marcadores, o espanhol Isidro Lángara lidera nos confrontos entre ambas seleções, com nove golos em três jogos realizados entre 1934 e 1935.

Pela equipa portuguesa, Fernando Peyroteo conseguiu anotar sete golos em cinco jogos, todos disputados nos anos 40.

Dos 50 anotadores da história do clássico ibérico, só três continuam em ativo (os espanhóis Joaquín e David Villa, e o português Hugo Almeida) e nenhum está convocado para o Mundial da Rússia.

Nessa classificação de goleadores não aparece o capitão português e cinco vezes Bola de Ouro, Cristiano Ronaldo, que nunca conseguiu marcar um golo à seleção espanhola, apesar de ter enfrentado a "La Roja" em quatro ocasiões.

Miguel Veríssimo